EMPRESA FAMILIAR – DESAFIOS E SUCESSÃO

 

Ms.Rivalina M. M.Fernandes

               A empresa familiar advém de longa data, praticamente quando a célula básica da sociedade negociava seu trabalho, tanto na produção, como na prestação de um serviço. Apesar disso, os desafios enfrentados e as dificuldades permanecem os mesmos e, ou, se elevam à medida que a competitividade aumenta.

              Entre as coisas que os seres humanos consideram de maior importância, podem-se destacar a convivência com sua família e o desempenho de suas atividades profissionais. A empresa familiar tem a interessante possibilidade de agrupar essas duas necessidades, tornando o trabalho harmonioso e produtivo. Nesse sentido, quando os vários cargos são preenchidos com integrantes da própria família facilita-se o desenvolvimento da empresa, em razão de o interesse tornar-se unificado e os investimentos, incluindo os sacrifícios pessoais para a criação da empresa, acabam sendo amenizados. Assim, a empresa sob gestão familiar tem suas vantagens, as quais podem viabilizá-la e elevá-la ao caminho do sucesso. Em contrapartida, porém, a empresa sob esse tipo de administração também apresenta muitas desvantagens e enfrenta muitos desafios que, não adequadamente enfrentados, podem vir a destruir a organização.

             Alguns fatores geram maior desafio para uma empresa familiar e um deles é a Liderança. A liderança gera dificuldade na empresa familiar, quando os membros da família apontam direções diferentes no que tange opiniões e objetivos para com a gestão geral da empresa ou seu orçamento. Integrar, portanto, se torna uma tarefa difícil e o consenso então mais difícil ainda.

            As empresas familiares possuem três pilares básicos que sustentam sua estrutura: família, propriedade e negócios e, por isso, todas as decisões orçamentárias e de gestão afetam a todos os membros, tornando-se objeto de conflitos se não houver uma direção profissional amadurecida.

           Pesquisas apontam que dois terços das justificativas que as empresas familiares dão para quais são seus desafios, são os problemas ligados à família, e não nos negócios. Outro desafio encontrado é a dificuldade para realizar atividades com planejamento. Afirmam que "planejamento não funciona", que "empresa muito organizada torna-se burocrática" e que a melhor forma é "administrar como os fundadores ou patriarcas faziam e, dessa forma, acabam praticando aquilo que o seu "bom senso" considera adequado, decidindo por impulso, demonstrando um temor muito grande a mudar ou aceitar novas formas ou ferramentas de gestão.

            O processo de sucessão nas empresas familiares vem acontecendo no mundo contemporâneo cada vez mais tarde, em decorrência do aumento do advento na elevada perspectiva de vida e da dificuldade que os gestores possuem em deixar o controle para sucessores enquanto estão vivos e, quando isto acontece, sempre desejam permanecer no comando das decisões.

            É aconselhável que os jovens propensos a sucessão façam o seu aprendizado profissional em outras empresas no período que permeia o fim da faculdade e o início da dedicação completa à empresa da família. Trabalhar fora ajuda o jovem a encontrar sua identidade, ou seja, o seu valor sem a proteção do sobrenome, além do que, ajudará a encontrar um repertório de experiências que terão, no futuro, valor comparativo com as decisões da sua empresa. A experiência em outra empresa traz vantagens, como: a possibilidade do jovem aprender algo sozinho, absorver conhecimentos com lideres que não são seus familiares e consubstanciados em suprimento de novas ideias, além da possibilidade de agregar uma rede de contatos empresariais valiosos. Outra dúvida, no aspecto do planejamento sucessório, é por onde os sucessores devem começar. O melhor caminho, segundo o autor Lodi, é começar por baixo, aprendendo nas áreas operacionais da empresa. O sucessor deve ter também uma formação humanística, além de conhecer bem da empresa.

O importante é que a sucessão seja vista como motivo de preparação, não só do sucessor, mas de toda a equipe, para que aconteça uma sucessão equilibrada, transparente e com consenso de todos.

Seguem aqui algumas dicas de como preparar uma sucessão com planejamento:

1- Planeje com muita antecedência
Não espere ficar cansado ou doente para planejar sua saída. Uma boa sucessão começa a ser preparada com, no mínimo, 10 anos de antecedência.

2- Treine os candidatos
Capacite ao máximo os candidatos à sucessão. Além dos cursos formais (graduação, pós-graduação), o processo de coaching executivo é o que existe de mais atual.

3- Analise as aptidões
Será fundamental  analisar, não só os resultados que cada candidato obtém, mas também seus comportamentos no dia a dia. Estilo de liderança, postura diante de conflitos e flexibilidade para resolver problemas.

4- Evite conflitos desnecessários
A sucessão é uma corrida de obstáculos, não uma guerra.

5- Comece a delegar
Para alcançar uma transferência de poder com baixo risco, comece a delegar cada vez mais funções importantes às pessoas mais qualificadas.

6- Defina o sucessor
Eleja o sucessor oficialmente e passe aos poucos todas as suas incumbências e, onde houver dificuldades, acompanhe com mais intensidade.

Os demais familiares, que não possuam perfil para liderança, direcionar para áreas as quais possuam aptidões, mesmo que sejam fora da organização.

Toda transição é complexa, mas, se bem conduzida, pode tornar a empresa ainda mais bem sucedida.

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